A Choperia

 
Do Bar Campeão a Choperia do Archimedes
      Casa antiga, repleta de portas e janelas, mesas de madeiras com tampos de granito, cadeiras singelas e uma imensa geladeira de quatro portas compunham o cenário do bar que nasceu em 1952 e deu origem a tradicional Choperia do Archimedes. A bola que ainda rola e gera paixões variadas era tocada com maestria, naqueles tempos, pelo Esporte Clube Fabrício que sagrou-se, inesperadamente, campeão do disputado Campeonato Amador de Uberaba daquele ano.
   A conquista, que teve entre seus destaques o Zé do Quelé, que juntamente com o senhor Archimedes Geraldo de Almeida, decidiu abrir o Bar Campeão em homenagem a grande façanha do Fabrício. Atrás do balcão, Archimedes misturava com maestria o excelente bom humor, o sorriso largo, com a firmeza de quem recebia os fregueses na própria casa, afinal, como se diz, ali trabalhava sua família.
     Naquele tempo, é bom que se diga, a esquina da rua Padre Zeferino com a Tiradentes era um subúrbio charmoso, entre muitas árvores, grandes quintais e ruas de terra batida. A Igreja de Santa Terezinha, já erguida, era a referência do alto do Fabríco. A casa, construída há mais de cem anos, pertenceu inicialmente a Antonio Pedro Naves que a vendeu a Paulo Finhold, que por sua vez, repassou o imóvel ao senhor Archimedes Geraldo de Almeida, cuja família detém até hoje a propriedade do imóvel.
    Alegre e sistemático o Archimedes mantinha a freguesia servindo cervejas tradicionais, bem geladas, cachaças de alambique, com destaque para a Sacramentana e, claro, os quitutes que saiam da cozinha, especialmente o bolinho de bacalhau. Sem dedilhado de violão, sem moda de viola, sem radiola ou eletrola, o bar mantinha-se num sóbrio falatório e com a disciplina desejada; fechava as portas pontualmente à meia noite.
    Mesmo sem colocar placa na porta, à medida que o campeonato do Fabrício foi se distanciando pelo tempo, o nome Bar Campeão foi gradualmente substituído por Bar do Archimedes no fim dos anos cinqüenta. Nesta mesma toada, o senhor Archimedes, que passou a ser o único dono do bar, manteve o negócio até o princípio dos anos 80, quando já era conhecido como referência de chopp bem tirado em Uberaba e região.
    Entre as passagens interessantes nos anos 50, apesar da ausência de música ambiente na Choperia do Archimedes, está o fechamento do bar por um dia devido a um luto curioso. A morte do cantor Francisco Alves, no dia 27 de setembro de 1952 num desastre de automóvel. A mesma homenagem não foi prestada a Getúlio Vargas, então presidente da República, que se matou em 24 de agosto de 1954. De fora do balcão contam-se também histórias interessantes do garçom Eurípedes Rodrigues de Abreu. Ele, sem qualquer cerimônia, recomendava aos clientes, mesmo aos mais ilustres, a suspensão dos drinks para evitar exageros na embriagues.
    Desde então a Choperia do Archimedes passou por inúmeras mãos até encontrar os atuais proprietários que conseguiram restabelecer a tradição da casa, ampliar seu espaço físico e diversificar a clientela. Saulo Kikuchi e Donato Cicci Neto modernizaram a gestão do negócio, ao mesmo tempo, em que restauraram a casa centenária, mantendo suas características originais, cuja arquitetura colonial, gera grande interesse por parte dos clientes locais e de outras cidades. Não é exagero dizer que a Choperia Archimedes é hoje uma forte atração turística na cidade de Uberaba.